quinta-feira, 17 de junho de 2010

Educação x Afetividade


Disciplina: Educação e Saúde
Projeto de educação e Saúde
Profª. Nara Borges
PROJETO DE EDUCAÇÃO E SAÚDE


Turmas envolvidas: 1ª a 4ª série – Eja – Educação de Jovens e Adultos
Período de duração: Agosto a dezembro/2010

Título do Projeto: “Afetividade nas Relações Sociais”

I – Justificativa:
            A Educação de Jovens e Adultos – Eja contempla em sua faixa etária alunos a partir de 18 anos, em situação de vulnerabilidade, que sem generalizar possuem uma visão histórica predominante de uma herança da cultura brasileira que permanece imprimida em nossa sociedade. Nela o estereótipo de sujeira, falta de moradia, e desconforto mental estão associados à classe baixa, como bagagem existencial.
            Os grupos hegemônicos continuam a existir e a muitas vezes “gerenciar” atitudes desiguais, “oportunizando”, por exemplo, campanhas de vacinação visando não permitir o avanço de epidemias, através do povo pobre e muitas vezes sem instrução.
            A relação interpessoal professor-aluno dentro de um processo de aprendizagem, é fato determinante dentro desta identidade jovializada mesclada com sujeitos adultos e da terceira idade, que caracterizam, ou melhor, dizendo demonstram a estampa atual da Educação e Jovens e Adultos.
            É importante o questionamento pessoal dos docentes e gestão em relação a seus planejamentos, investigando a situação de cada discente principalmente quanto às motivações que fizeram com que retornasse a vida escolar, qual seu contexto, suas dificuldades, suas características próprias, seus conhecimentos, suas emoções.
            O desafio deste projeto diante do professor é o de buscar meios para enxergar seu aluno em sua totalidade e concretude, na busca do elevar sua auto-estima através da satisfação de suas necessidades na área afetiva no conjunto de suas relações sociais dentro do meio de sua convivência.
            Entende-se ainda que quando a área afetiva é beneficiada, as áreas cognitivas e motivas alcançam paralelamente seus objetivos, visando diminuir as dificuldades de aprendizagem através do encorajamento e do conhecimento de todos, favorecendo o ambiente de perguntas e respostas, tornando o professor um facilitador.
        
O meio é um complemento indispensável ao ser vivo. Ele deverá corresponder as suas necessidades e as suas aptidões sensório-motoras e, depois psicomotoras... Não é menor verdadeiro que a sociedade coloca o homem em presença de novos meios, novas necessidades e novos recursos que aumentam possibilidades de evolução e diferenciação individual. A constituição biológica da criança, ao nascer, não será a única lei de seu destino posterior. Seus efeitos podem ser amplamente transformados pela circunstância de sua existência, da qual não se exclui sua possibilidade de escolha pessoal... Os meios em que vive a criança e aqueles com que ela sonha constituem a “forma” em que amolda sua pessoa. Não se trata de uma marca aceita passivamente.  (Wallon, 1975, pp. 164, 165, 167)
           
            Wallon, através da teoria da afetividade afirma que os diversos meios em que à sociedade insere o indivíduo são capazes de atuar em sua transformação pessoal, refletindo-se entre rupturas e retrocessos, favorecendo o desenvolvimento entre o afetivo e o cognitivo através da convivência com o outro no estabelecimento de preceitos e princípios.
            Trabalhar a afetividade dentro do contexto de Educação e saúde é permitir que o construto até então conhecido de que saúde é somente ausência de doença, tenha uma desconstrução permitindo que áreas como a emoção, sentimento e paixão, possam estabelecer-se como necessárias ao processo determinante de ensino aprendizagem.
            Conforme Vasconcelos, no texto “Surgimento, crise e redefinição da educação popular, “a educação e saúde é o campo de prática e conhecimento do setor saúde que tem se ocupado mais diretamente com a criação de vínculos entre a ação médica e o pensar e fazer cotidiano da população”“. Portanto nada melhor do que dentro da escola e a partir dela proporcionar o surgimento de um caminhar consciente estabelecendo laços necessários para um entendimento capaz de mudança a partir do âmbito escolar estendendo-se a sociedade.
            Mas afinal o que é a promoção da saúde? Através do texto de Virginia Schal, “Educação e saúde: Novas Perspectivas”, a autora relata que é o processo de capacitação da comunidade, visando atingir uma qualidade de vida, através de seu maior controle e sua participação.
            Dentro desta perspectiva o projeto “Afetividade nas relações pessoais” visa o conhecimento do eu e do outro, dentro das etapas diversas que constituem a Educação de Jovens e Adultos, buscando atingir o papel da afetividade dentro de seus diferentes estágios.
            A justificativa deste projeto em relação ao meio onde será aplicado vem ao encontro à necessidade do crescimento do auto-cuidado alicerçado ao auto-conhecimento, que envolve o sujeito num todo, ou seja, corpo mente emoções, que se unem as relações sociais do indivíduo.
           
II – OBJETIVO GERAL:
            Restabelecer a auto-estima através do auto-conhecimento e auto-cuidado, buscando o equilíbrio do sujeito fortalecendo a afetividade em seus relacionamentos pessoais.

III OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
ü      Oportunizar o conhecimento do conceito amplo de saúde;
ü      Trabalhar os diferentes estágios e o papel da afetividade como capacidade e disposição do ser humano de ser afetado pelo mundo externo/interno, através de sensações agradáveis e desagradáveis;
ü      Estabelecer perguntas como: Quem sou eu? Quais são meus valores/? Quem serei no futuro? Confrontando com outras definições de valores pertinentes a faixa etária como: Eu sei quem sou e o que esperam de mim.
ü       Vivenciar as experiências de cada um dentro de seu contexto histórico relativados ao meio de seu convívio;
ü      Oportunizar momentos de descontração através da música e expressão corporal.

IV – METODOLOGIA:
            A ações utilizadas serão oportunizadas de uma forma dinâmica, através de textos, palestras e jogos, permitindo que a abordagem pedagógica possa tomar uma postura construtiva a partir dos saberes de cada um.
            As técnicas utilizadas primeiramente irão partir do conhecimento do corpo utilizando-se da música e da dança como veículos de aproximação e desprendimento, facilitando assim o desenvolvimento social.
            As atividades desenvolvidas conforme o cronograma estabelecido buscarão alcançar os objetivos geral e específico através de ações diversificadas, que produzam alegria e o desejo do conhecimento do eu e do outro.
            Para alcançar os objetivos traçados o planejamento deverá partir dos conhecimentos do sujeito, que servirão como base para as desconstruções que também serão necessárias. Será preciso desacomodar de situações vivenciadas para que a metodologia encontre lugar privilegiado, estabelecendo novas funções para o indivíduo participante e cuidador de suas fragilidades sociais.

VI – REDES DE APOIO:
ü      SOE;
ü      SOP;
ü      Serviço social;
ü      Psicologia:
ü      Professores;
ü      Pastoral;
ü      Hospitais;
ü      Postos de saúde;
ü      Família.

VII – CRONOGRAMA
             
           
Mês
Atividades desenvolvidas
Avaliação
Agosto
Durante este mês as atividades desenvolvidas estabelecerão parcerias para o conhecimento e aceitação do corpo que temos, e perspectivas do corpo que queremos, buscando auxílio através de dinâmicas que envolvam o alongamento e a dança.
A princípio acontecerá através da participação individual, no pequeno e grande grupo, na busca do “romper com o pensamento empático, segundo Rogers”.
Setembro
Permitir que os sujeitos conheçam os estágios e o papel da afetividade dentro do desenvolvimento do caráter do ser humano, relativados ao meio. Trazer um pouco da biografia de wallon, seus conceitos e sua biografia.
Partir do que se conhece dentro da bagagem existencial de cada um, buscar através da zona de desenvolvimento proximal alargar estes conhecimentos baseados nos estudos de Wallon.
Outubro      
Relacionar e produzir através destas relações, através de várias rodas de conversa e de violão  as influências que este meio produziu dentro da afetividade de cada um, e nas relações pessoais.
Dentro do modo de ser e de agir do sujeito que estabelecerá sua percepção maior dentro da afetividade.
Novembro
Através das perguntas estabelecidas dentro dos objetivos específicos realizar um painel de crescimento de afetividades que poderá ser anexado e apresentado na biblioteca da escola e/ou sala de recursos, relacionando com as práticas de saúde e seus benefícios em relação à afetividade.
Através da pedagogia da presença onde o facilitador deverá problematizar situações envolvendo a todos, visando à sintonia na afetividade pessoal e coletiva.


VIII – AVALIAÇÃO:
            O projeto “Afetividade nas relações sociais”, adotando uma concepção interacionista avaliará individualmente os sujeitos através de estudos paralelos onde o facilitador/mediador poderá exercer também o papel de problematizador diante das situações provocadas e estabelecidas pelo grupo.
            Os avanços, desempenhos e investigações do sujeito serão avaliados de forma sistemática, e considerados elementos propulsores que promovem o crescimento na construção de novos conhecimentos de si e do outro, libertando-o assim para uma vida dinâmica entre as relações sociais.
             
VIII – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

VASCONCELOS, Eymard Mourão. Caderno de Educação. Surgimento, crise e redefinição da educação popular em saúde.

SCHALL, Virgínia T. Educação em saúde: novas perspectivas.

VALLA, Victor Vincent. Construindo a resposta à proposta de educação e saúde.
Wallon, H. (1941-1995). A evolução psicológica da criança. Lisboa, Edições 70.
______ (1959-1975). Psicologia e educação da infância. Lisboa, Estampa.

Wallon, H. (1941-1995). A evolução psicológica da criança. Lisboa, Edições 70.
______ (1959-1975). Psicologia e educação da infância. Lisboa, Estampa.
 http://scielo.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-69752005000100002
27/05 14:11

HOFFMANN, Jussara. Avaliar para promover. As setas do caminho. Ed. Mediação. Porto Alegre. 2001.


           






























































































































                         






                         

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Conhecendo meu aluno:

Centro Universitário Metodista do Sul – Ipa
Curso: Pedagogia
Disciplina: Didática e Avaliação
Alunas: Camila Blanco, Dione Gauto, Gabriela de Oliveira Aço e Roseli Bek


PROJETO DE TRABALHO

TEMA: CONHECENDO MEU ALUNO 

1. JUSTIFICATIVA:
            O  papel da escola se concretiza pela ação educativa. Desse modo, o trabalho do educador é tão complexo e importante que não pode ser improvisado. Cada professor, conhecendo seus alunos tem de saber o que vai ensinar, para quê e como fará isso, estabelecendo saberes específicos.
            A importância de conhecer o aluno e contemplá-lo em suas necessidades transcende o contexto educativo e visa estabelecer vínculos que elevem a auto estima produzindo um fazer pedagógico diversificado e facilitador.
            Partindo do Referencial Curricular para Educação Infantil, de que o sujeito de nossa ação tem sua história, e de que é marcado pelo meio social onde vive, é fundamental que o corpo docente pontue estas relações possibilitando processos de aprendizagem que alcancem os níveis de cada um.
            O auto-conhecimento é a base para ampliar o conhecimento do outro como sujeito de importância, que age, interage e é capaz de modificar a sociedade, através de suas ações.
            O projeto “Conhecendo meu aluno”, com base no currículo dos sujeitos envolvidos, auxiliará na construção de uma identidade autônoma, que inicia pontuada por uma infância sadia, revelada através da formação de sua conduta.
           
2. OBJETIVO GERAL:
            Possibilitar que a criança construa sua identidade e autonomia por meio das brincadeiras, das interações socioculturais e da vivência destas relações em diferentes situações.

3. OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
ü      Familiarizar-se com a imagem de seu próprio corpo;
ü      Explorar as possibilidades de gestos e ritmos corporais     através das brincadeiras, utilizando-se da música;
ü      Resgatar a história de vida do aluno, tendo como fator     primordial elevar sua auto-estima, possibilitando que ele se identifique como sujeito da história;
ü      Identificar e reconhecer aspectos que o caracterizam;
ü      Reconhecer a existência de diferentes modos de ser e     viver, explorado através da diversidade cultural;
ü      Desenvolver o conceito de semelhança e diferença;
ü      Ocupar-se da arte do brincar contemplando jogos de conhecimento desenvolvam através da confecção e visualização da árvore genealógica de cada um;
ü      Relacionar através da seqüência lógico matemática sua idade e as idades de seus colegas, uilizando-se destes dados para problematizar situações diversas;
ü      Proporcionar um crescimento no vocabulário através de exercícios de estimulação da linguagem.

4. CONTEÚDOS CONCEITUAIS:
§         Saber trabalhar a percepção do corpo a partir de      observações sistemáticas no espelho;
§         Explorar a oralidade, diante de relatos vivenciados,              narrações e opiniões;
§         Trabalhar motricidade ampla e fina de maneira criativa por meio da produção e confecção de materiais;
§         Compreender a noção de quantidade;
§         Identificar os cinco sentidos.

ü      Estimular a fala por meio da interação com o outro, atra-      
           vês de gestos, objetos e gravuras;                                             
ü      Conhecer o corpo por meio do uso de habilidades físicas, motoras e perceptivas (auditiva, visual, tátil, gustativa e olfativa;
ü      Explorar diversos objetos e suas propriedades( cor, som, odor, forma, tamanho, altura, textura, peso, consistência, movimento, temperatura, etc.).


6. CONTEÚDOS PROCEDIMENTAIS:

ü      Confecção de crachás para auto identificação; 
ü      Construção de moral com fotos dos alunos;
ü      Interpretação de imagem;
ü      Exploração do espaço físico.

7. CONTEÚDOS ATITUDINAIS:
Integração social entre alunos;
ü      Cooperação durante a realização dos trabalhos;
ü      Conscientização e respeito.

8. SITUAÇÕES DIDÁTICAS:
  • Propor sistematicamente brincadeiras em grupos integrando os alunos, através de conversas em rodinha, a fim de possibilitar o conhecimento e aproximação das crianças;
  • Criar um cartaz com fotos dos alunos para auto-identificação;
  • Trabalhar a percepção do corpo a partir de observações sistemáticas no espelho;
  • Estabelecer observações em duplas a cerca das diferenças e semelhanças entre os demais colegas, construindo o conceito do eu e do outro;
  • Fazer um desenho do corpo inteiro, incentivando a criança a reproduzir sua imagem;
  • Promover momentos em que o aluno observe seu próprio espaço e o do outro;
  • Nomear objetos e móveis presentes na classe, construir maquete da sala utilizando caixas de sapato e outros materiais recicláveis;
  • Na escola passear por suas dependências, conhecer funcionários, buscar o conhecimento de suas histórias de vida;
  • Realizar um conhecimento do bairro, fazendo visitas a casas comerciais, praças, moradores e outros;
  • Discutir profissões e respectivas atividades desenvolvidas na família;
  • Na rua onde cada criança mora realizar um reconhecimento das casas e dos moradores, estabelecendo conceitos de direito, esquerdo, frente, etc.

9. AVALIAÇÃO:
            A avaliação será de forma sistemática e, em todos os momentos do projeto serão registrados os avanços, desempenhos e dificuldades encontrados, a fim de aprimorar as etapas posteriores.
            Através de uma observação lançar os registro em uma ficha de relatos onde o desenvolvimento individual de cada criança e da turma em geral, possibilitará a identificação dos conhecimentos prévios e as condições que possam promover avanços na construção do conhecimento.

10. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
Revista. CRIANÇA do professor de Educação Infantil, Ministério da educação. Ed. 35. Dezembro, 2001.

FISS, Ana Jovelina L. PLANOS DE ESTUDOS. O pensar e o fazer pedagógico. Porto Alegre; Edicação dos Autores, 2001.188p.

Referencial Curricular para Educação Infantil.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Sala de recursos, para algumas escolas uma visão de futuro, para os mais esclarecidos uma necessidade do presente.

A Secretária da Educação, com fundamento no disposto nas Constituições Federal e Estadual, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, no Estatuto da Criança e do Adolescente e na Indicação nº. 12/1999 e Deliberação nº. 5/2000 do Conselho Estadual de Educação, e considerando que:
(....) a educação especial para atendimento escolar de educandos portadores de necessidades especiais deve ser realizada, preferencialmente, na rede regular de ensino, em classes comuns com apoio de serviços especializados organizados na própria escola ou em centros de apoio regionais; a integração, permanência, progressão e sucesso escolar de alunos portadores de necessidades especiais em classes comuns do ensino regular representam a alternativa mais eficaz no processo de atendimento desse alunado; em função das condições específicas dos alunos, sempre que não for possível sua integração em classes comuns da rede escolar, a classe especial deve ser mantida na rede regular ou, ainda, quando necessário, deverá ser oferecido atendimento por meio de parcerias com instituições privadas especializadas sem fins lucrativos; a rede estadual já possui formas diversificadas para atendimento dos alunos portadores de necessidades especiais e que os paradigmas atuais da inclusão escolar vêm exigindo a reorganização da educação especial visando à ampliação dos serviços de apoio especializado e a renovação dos projetos pedagógicos e metodologia de trabalho das classes especiais, resolve: Artigo 1º- São considerados alunos com necessidades educacionais especiais aqueles que apresentam significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais decorrentes de fatores inatos ou adquiridos, de caráter permanente ou temporário, que resultem em dificuldades ou impedimentos no desenvolvimento do seu processo ensino-aprendizagem.

            Pensar em sala de recursos hoje é o mesmo que pensar em um atendimento completo na área educacional, onde também a educação é comemorada através das conquistas do sujeito em atendimento por completo.
            Como pedagogas poderíamos por alguns momentos nos utilizar das ferramentas dos questionamentos pessoais que deveriam ser ponto de problematização para todos aqueles que se enamoram pela educação. Como realizar uma inclusão social e cultural? Que rumos estou tomando em minhas práticas? Estou realizando a práxis? Como realizar a inclusão através do conhecimento das leis? Consigo estabelecer parâmetros de integração x inclusão? Conheço este sujeito a quem me dedico, suas necessidades e minhas necessidades?
            Pensar em planejamento significa estar antes de tudo preparada para uma busca completa de caminhos, setas, que envolvam o pensar e o saber do aluno como primeiro indicador que dá significado a sua história. Para tanto é urgente uma tomada de consciência de que a sala de recursos dentro de uma escola se faz urgente.
            Tomemos por exemplo a Sir/Visual, que atende alunos com deficiência visual em algumas escolas de Porto Alegre. Entender que estes alunos precisam estar em uma escola de ensino regular é muito mais que “permitir que suas matrículas sejam feitas”. O caminho do entendimento é muito maior do que o caminho da permissão. Integrar este aluno significa em primeiro lugar o entendimento de que para que aconteça seu crescimento como cidadão ele precisa interagir com toda esta comunidade escolar.
            O atendimento diferenciado que este sujeito recebe através da Sir/Visual permite um crescimento que sustente sua aprendizagem também em uma sala de aula comum. Aprender a matemática através do sorobã nada mais é do que entender que a educação precisa de meios diferentes para chegar a um mesmo fim. O mesmo acontece com a reglete, onde o letramento acontece, porém de forma diferente.
            Como pedagogas, especialistas em educação, precisamos ter a convicção de que nossas práticas são necessárias e servem como fio condutor que revela, converte e revoluciona, transformando nossas salas em verdadeiros laboratórios de aprendizagem.
            A diversidade de situações que nos instigam faz-nos perceber que o caminho é longo, mas possível, principalmente se nossa bagagem de conhecimentos for aumentando através do desejo de alcançar a tudo e a todos, contemplando-os em suas necessidades.
            Portanto uma gestão consciente busca hoje, no tempo presente, implantar em toda escola uma sala de recursos, com professores apaixonados pela causa e dispostos a criar e recriar, com uma visão de entendimento de prosperidade onde o indivíduo seja contemplado em suas diferenças.
            Pensar em sala de recursos como visão de futuro é o mesmo que exercitar o pensamento de uns, e como escolha consciente deixar que outros comecem a construir seu pensamento mais tarde. Uma visão que inclui, mas não integra.
            Costumo pensar como Wallon, quando se refere à afetividade e deixo minha frase: “a afetividade é um instrumento eficaz quando aliado ao desejo do conhecimento e da vontade de ir adiante, sempre, por cada sujeito que se transforma em um estudo de caso nas mãos da investigadora pedagoga”. (DIONE GAUTO)


Referência Bibliográfica: 
Constituição Federal
Constituição Estadual
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
Eca
Indicação nº 12/1999
Deliberação nº 5/2000 do CEE
           
           
        


           

sábado, 12 de junho de 2010

Por uma educação que transborde afetividade




“(....) quanto mais insistirem em colocar máscaras nas suas identidades e quanto mais manifestações de que para o surdo é importante falar para serem aceitos na sociedade, mais eles ficam nas próprias sombras, com medos, angústias e ansiedade. As opressões das práticas ouvintistas são comuns na história passada e presente para o povo surdo”. (STROBEL, 2007, apud QUADROS & PERLIN, 2007, p.27).

            O contexto educacional de hoje muitas vezes é semelhante, sem generalizar, ao processo histórico vivido pelos surdos. Eles eram considerados historicamente como pessoas incompletas, doentes, alienadas, perigosas, inquietas e consequentemente eram afastadas da sociedade, como uma lepra.
            Sua identidade não era preservada, ao contrário, pois no primeiro momento a língua de sinais foi rejeitada, supervalorizando a oralidade como “essencial”. Até mesmo a primeira escola para surdos, comicamente falando não media esforços para o ensino da fala.
            Partindo destes princípios podemos estabelecer alguns indicadores relevantes em relação ao fazer pedagógico das práticas utilizadas em sala de aula nos dias de hoje.
            O ser humano tem uma tendência em isolar-se diante de algumas dificuldades que encontra, principalmente se seus lutos não foram bem resolvidos e sua identidade permanecer confusa ou alterada.
            O que mais se percebe é que o meio onde se vive, conforme explica Wallon pode auxiliar na afetividade dos sujeitos, desenvolvendo assim sua auto-afirmação, seu auto-conhecimento e autonomia na construção de sua identidade.
            Aparentemente “as comunidades surdas” buscaram através do isolamento uma forma de resgate de sua identidade, permitindo que suas necessidades fossem então estabelecidas de forma coerente e ajustadas para o crescimento pessoal e coletivo.
            Dentro de uma prática pedagógica na relação professora-aluno é importante “desmistificar”, permitir que caiam as máscaras retratadas através de estereótipos que visam manter aceso o pensamento de “toda criança surda é agressiva”, ou tem “problemas familiares”, ou ainda, ela tem baixa-estima.
            O filme “O milagre de Anna Sullivan”, revela uma professora jovem, sem prática alguma, porém muito bem resolvida em suas perdas, seus lutos, e consequentemente realizava suas práticas com perfeita autonomia.
            Utilizou-se do tato, percepção, através do toque às vezes suave, às vezes brusco, para manifestar-se e despertar a menina Hellen Keller.
            O perfil desta educadora mantinha aceso aspectos de coragem, sabedoria, audácia, perseverança e persistência pela causa, no caso a criança, sujeito de toda sua dedicação.
            Em alguns momentos suas práticas se assemelhavam a um grande laboratório onde para disciplinar Hellen, a professora utilizava-se de recompensas quando ela realizava o que era solicitado. É quase como pensar em ação-reação, nas pesquisas realizadas com cobaias.
            Anna Sullivan sabia disto, tanto que se permitia ir além, buscar alternativas para que a menina, sujeito de sua investigação, começasse a compreender o mundo a que pertencia.
            O documentário por sua vez mostra dois mundos diferentes, um onde à família não aceita a identidade da filha e consequentemente não permite que a mesma se “rotule” como surda, mesmo tendo surdez, e prefere aderir ao implante.
O outro caso mostra uma família “resolvida no mundo dos surdos”, porém, embora demonstre conviver com os “ouvintes”, não se acha pertencente a este mundo.
            Antes de voltarmos a falar em práticas pedagógicas, falemos de fracasso escolar, um fantasma que oprime e ao mesmo tempo sinaliza para um “tempo de mudanças na área educacional”. No que diz respeito aos alunos surdos um dos tópicos que precisa ser melhorado para alcançar práticas mais eficazes é o olhar sobre o contexto familiar. A super proteção dos pais, a falta de estímulo, a falta de conhecimento sobre a Língua de Sinais, a não aceitação da surdez, a pobreza; são tópicos importantes que remetem ao impedimento do processo ensino-aprendizagem.
            Utilizando-se destes meios, um professor bem resolvido em conjunto com uma gestão atuante poderá revelar em suas práticas um fazer pedagógico que contemple estas necessidades tendo como perspectiva básica este pensamento:
(....) “que os mecanismos de mediação no processo de integração das crianças surdas se revelam no processo inverso, ou seja, a aceitação da diferença – não da deficiência, mas como mais um exemplo da diversidade humana, para a construção de um verdadeiro processo educativo”. (LOPES, MAURA CORCINE).



CONCLUSÃO:

           
            Falando de diversidade humana, como gostaria de poder concluir, minha opinião é a de que os espaços de convivência são muitos e por este motivo embora pareça “utopia”, me é mais agradável pensar em atitudes de integração, exatamente como ele é sinalizado.
            Os gestos, atitudes, discordâncias, não são pensamentos irrelevantes, pois ao contrário nos fazem crescer e amadurecer em atitudes concretas que possam transformar-se em auxílio na educação.
            Pensar em minhas práticas para os surdos, é como pensa-las para cegos, altistas, hiperativos, dispersos, desligados, ou simplesmente sujeitos acomodados, ou seja para toda esta diversidade cultural são necessários novos fazeres pedagógicos.
            Os indivíduos são os mesmos, contemplados ou não através de meu interesse pessoal no comprometimento de ensino aprendizagem professora-aluno.
             O ser humano contemplado em um todo só é atingido totalmente quando nosso olhar se alarga permitindo que também e primeiramente em nós a zona de desenvolvimento proximal avance através de novos conceitos, novas metodologias e uma grande pitada de afetividade.

  
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
SKLIAR, Carlos. Os Estudos Surdos em Educação: problematizando a normalidade. A surdez: um olhar sobre as diferenças. Porto Alegre. Mediação, 1998.

SKLIAR, Carlos. Cadernos de Autoria: Abordagens sócio antropológicas em Educação especial.



CENTRO UNIVERSITÁRIO METODISTA – IPA
CURSO: PEDAGOGIA
DISCIPLINA: LIBRAS – LÍNGUA DE SINAIS
PROFº ANDRÉ
ALUNA: DIONE GAUTO
TURMA: PDM31

Perder x Participar


            Contemplar o entendimento sobre os jogos dentro da educação é ainda uma tarefa longa e difícil. Os conceitos históricos estabelecidos fazem parte da estrutura do indivíduo e, portanto encontram-se muitas vezes enraizados nos caminhos de sua existência.
            O ser humano busca incansavelmente os ganhos; primeiro em sua vida escolar e consecutivamente em sua vida familiar, individual e comunitária. Os meios de comunicação também instigam este pensamento quando determinam e apontam empresas que particularmente patrocinam “os melhores”, deixando claro, portanto que os piores são aqueles denominados perdedores, e que não são dignos de serem patrocinados.
            Muitos alimentam a hipótese de que um empate até pode ser justo, porém uma derrota jamais, assim nem vale a pena participar.
            A partir da frase de Carlos Drummond de Andrade podemos problematizar esta situação:

"Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem."

            De quanto tempo ainda necessitamos para entender que o brincar faz parte de uma educação mais sadia? Como utilizar os jogos cooperativos como recurso para autonomia do sujeito? Como perceber que uma sala de aula dinâmica realiza uma aprendizagem que encanta? De onde vem esse sujeito, quais suas características e seus anseios? Qual é sua bagagem e como contempla-la em meus planejamentos?
            Uma especialista em educação consciente precisa resgatar o entendimento da importância da participação, acima do perder ou ganhar. Muitos alunos não participam, por exemplo, de uma gincana de matemática por acharem que não tem condições e que por isto já perderam. Uma gestão atuante realizaria antes todo um trabalho que enaltece os ganhos através da simples participação desta gincana, como pensamento e raciocínio rápidos em exercício.
            Concluo dizendo brincar, jogar, dinamizar situações são pontos importantíssimos dentro da vida escolar, familiar e comunitária. São valores que precisamos vivenciar com quem está a caminho e permanecer que as rupturas e retrocessos aconteçam com todos aqueles que já caminham há muito tempo.
            Uma receita de participação que dá certo está ligada à afetividade; um vínculo afetivo realiza maravilhas dentro da educação, e proporciona uma aprendizagem feliz onde menos se espera.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Missão Especial

CHAMPION, Gregg. Miracle Run. Missão Especial. EUA. 2004. Drama. 88 min.

ANÁLISE CRÍTICA

            O filme “Missão Especial” em uma análise de conjuntura apresenta cenários diversificados, sendo que no primeiro momento absorvem a realidade de uma família constituída por mãe solteira, seus dois filhos e o padrasto.
            A mãe, Corrine Morgan, ocupa seu tempo em levar seus filhos a diversos especialistas, a procura de um diagnóstico para o problema que enfrenta; por este motivo o cenário também se altera nas idas e vindas a hospitais.
            Após receber o diagnóstico definitivo de que seus filhos são portadores de autismo, no primeiro momento se desespera, depois de forma resiliente acalma-se e permite que seu olhar de cuidadora retorne as necessidades de seus filhos.
            O padrasto por sua vez, acaba deixando a família, pois não se entende em condições de continuar exercendo seu papel diante da dificuldade que terá de enfrentar com os meninos.
            As questões sociais que Corrine terá de enfrentar são imensas, porém em nenhuma das cenas contempladas pode se perceber uma atitude de derrota, ou de desistência, embora o medo e o desejo de acertar estivessem diariamente com ela.
            As relações de poder através da resistência pareciam impulsionar mais e mais esta mulher em buscar os direitos de uma educação inclusiva a seus filhos, investigando e problematizando situações para que estes permanecessem na escola onde estavam o que na verdade não era o desejo de professores e gestores.
            Alargando meu olhar dentro da pedagogia percebo que por diversas vezes estas situações se multiplicam em nossos ambientes escolares.     As leis e resoluções como neste caso existem, porém acontece muitas vezes através da força, da imposição, o que pode parecer violência, mas não é.
            Muitas e muitas vezes até mesmo no momento da matrícula é realizado um par ou impar discriminatório, onde se nega à presença e consequentemente a integração e interação de crianças e adolescentes portadores de NEEs.
            No caso dos meninos Steven e Philip a postura da escola que no primeiro momento os excluía poderia ser determinante em suas vidas, realizando neles um prognóstico de derrotas e frustrações, não dinamizando suas construções pessoais e culturais, deixando-os isolados do mundo.
            Pensando na relação de afetividade que Wallon defende em seus estágios, posso perceber o valor de uma família estruturada, pois a sensibilidade no olhar da mãe para seus filhos, e no perceber que é possível ir além fez com que ela não estabelecesse fronteiras para o aprendizado de ambos.
            As rupturas e retrocessos realizados a partir do filme, faziam com que a mãe vibrasse a cada vitória, pois aparentemente além de serem portadores de autismo os dois possuíam altas habilidades em algumas áreas, que foram se revelando através da interação sócio-escolar.
            Acredito ser importante lembrar que tudo era novo para esta mãe, que precisou ler muito e tornar-se em determinado momento uma educadora eficaz para seus filhos, proporcionando assim um auto-conhecimento revelados através da autonomia de ambos.
            No filme o professor que realizou o atendimento domiciliar exercia suas práticas com docilidade, com voz suave e repetindo quantas vezes fossem necessárias o que aparentemente eram “comandos”, o que talvez seja comum na prática com esta síndrome.
            Minha análise critica através deste filme é a de que é necessário e urgente uma descontrução no contexto familiar e educacional em prol das diversidades existentes em nossa sociedade.
            As práticas pedagógicas precisam ser mais reflexivas e investigatórias, problematizando a todo tempo o sujeito em atendimento e consequentemente o fazer pedagógico a ser realizado.
            Concluo com a Frase de Hellen Keller “ Por que nos contentamos em viver rastejando, quando sentimentos o desejo de voar”; assim também deverá acontecer com a educação em todos os seus âmbitos, através de todos os seus profissionais.
            Como professores precisamos pensar que nossas práticas precisam atender a todos, sempre com o ímpeto e o desejo de voar e tornar o vôo possível a estes sujeitos a quem nosso olhar deseja alcançar.

Dione Gauto